Teste de Impairment do Ágio na prática

Neste segundo post da série de 3 sobre o “teste de Impairment do Ágio” abordaremos na prática, como é testado o Ágio para atender as exigências da legislação apresentadas no Blog anterior.

Lembramos que a série sobre Teste de Impairment do Ágio aborda o tema por 3 enfoques distintos:

  • 1º A origem – A exigência, Legislação e critérios. (Blog anterior)
  • 2º Na prática – Como de fato é realizado o Teste de Impairment do Ágio. (atual)
  • 3º Uma nova abordagem para se testar a recuperabilidade do Ágio. (próximo)

Para o teste de Impairment do ágio é necessário a elaboração de um Laudo comparando o valor contábil do Ágio versus seu Valor Recuperável. O trabalhoso é calcular esse “valor recuperável”, pois é o resultado de um cálculo que apresenta o VPL (Valor Presente Líquido) de fluxos de caixa futuros; isto posto, no Laudo deve conter no mínimo os 10 passos abaixo listados:

1º Apresentar o escopo de trabalho e a finalidade do Laudo.

2º Metodologia de trabalho.

3º Premissas para a elaboração do Laudo.

4º Moeda utilizada no cálculo.

5º Data base do Laudo.

6º Justificar a escolha do método de Teste de Impairment.

7º Taxa de Desconto – Cálculo do WACC.

8º Perpetuidade – Justificar o uso ou o não uso deste fator.

9º Projeção de 3 cenários distintos.

10º Cálculo e conclusão do Teste de Impairment

Vamos detalhar um pouco cada um destes 10 passos fundamentais:

1º Apresentar o escopo de trabalho e a finalidade do Laudo.

Neste primeiro tópico deve constar qual a finalidade do Laudo e limitar o escopo de trabalho. Citar que a finalidade é a realização do Teste de Impairment do ágio. Importante citar a fundamentação teórica e embasamento Legal que regem o tema.

2º Metodologia de trabalho.

O objetivo deste tópico é apresentar a metodologia de trabalho, por exemplo: Foi utilizada a “metodologia de rentabilidade futura para a unidade geradora de caixa” ou foi utilizada a mesma metodologia para o cálculo do Ágio no PPA, etc.

3º Premissas para a elaboração do Laudo.

As premissas que fundamentaram o trabalho devem ser citadas neste tópico. Exemplo de premissas: Continuidade do negócio, unidade geradora de caixa em operação, gerando lucro ou prejuízo, estimativa de tempo de projeção curto, etc… aqui deve ser apresentado todo fator que pode influenciar o resultado do Teste de Impairment.

4º Moeda utilizada no cálculo.

O cálculo e as projeções futuras de fluxo de caixa podem ser efetuados em várias moedas, por exemplo: Dólar, Reais, Euros ou outra moeda que reflita melhor a realidade da empresa. Importante citar se foi adotado (ou não) o conceito de moeda constante, pois esse critério dispensa a necessidade de projetar a inflação futura e seus respectivos efeitos nos resultados operacionais da Empresa.

5º Data base do Laudo.

Informação importantíssima, a data base adotada, pois o Teste de Impairment tem validade de 1 ano apenas, já que no exercício seguinte a empresa deve refazer o teste. Normalmente é utilizada a data de encerramento do exercício.

6º Justificar a escolha do método de Teste de Impairment.

A legislação pertinente ao Teste de Impairment (CPC01) não obriga as empresas a fazerem o teste pelo método de “valor em uso” e “valor líquido de venda”, conforme tópico 17 do CPC 01:

“Nem sempre é necessário determinar o valor líquido de venda do um ativo e seu valor em uso. Se qualquer desses valores excederem o valor contábil do ativo, esse não tem desvalorização e, portanto, não é necessário estimar outro valor. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01).”

Considerando que o objetivo do Teste de Impairment é atestar a recuperabilidade (ou não) do Ágio, e que este ágio não está vinculado a um ativo diretamente a uma linha de produção ou a uma máquina ou equipamento, por exemplo, que pode ser cotados/vendido, a metodologia recomendada é através do Fluxo de Caixa das empresa.

Os seguintes elementos estão refletidos no cálculo do valor em uso do ativo:

(a) estimativa dos resultados de exercícios futuros que a entidade espera obter com esse ativo;

(b) expectativas sobre possíveis variações no montante ou período desses resultados futuros;

(c) o valor do dinheiro no tempo, representado pela atual taxa de juros livre de risco;

7º Taxa de Desconto – Cálculo do WACC.

Segundo o CPC01, a taxa de a taxa de desconto deve ser a taxa antes dos impostos, que reflita as avaliações atuais de mercado:

(a) do valor da moeda no tempo; e

(b) dos riscos específicos do ativo para os quais as futuras estimativas de fluxos de caixa não foram ajustadas.

Uma taxa que reflita avaliações atuais de mercado do valor da moeda no tempo e os riscos específicos do ativo é o retorno que os investidores exigiriam se eles tivessem que escolher um investimento que gerasse fluxos de caixa de montantes, tempo e perfil de risco equivalentes àqueles que a entidade espera extrair do ativo. Essa taxa é estimada a partir de taxas implícitas em transações de mercado atuais para ativos semelhantes, ou ainda o custo médio ponderado de capital, conhecido como (WACC).

Quando uma taxa de um ativo específico não estiver diretamente disponível no mercado, a entidade deve usar substitutos para estimar a taxa de desconto.

Como ponto de partida para realizar essa estimativa, e apenas para iniciar o estudo da taxa de desconto a utilizar, a entidade pode começar a análise pelas seguintes taxas:

(a) o custo de capital médio ponderado da entidade;

(b) a taxa de empréstimo incremental da entidade; e

(c) outras taxas de empréstimo de mercado.

A opção pelo custo médio ponderado de capital (WACC sigla em inglês) se justifica por ser a mais usual no mercado e refletir o custo/taxas da própria empresa.

 Mas o que o WACC e Como calcular?

WACC – Weighted Average Cost of Capital é a taxa que reflete o percentual da estrutura de capital da Empresa em relação de capital de terceiros e capital próprio (debt/equity ratio).

Fórmula utilizada na determinação do WACC

calculo-teste-de-impairment

8º Perpetuidade – Justificar o uso ou o não uso deste fator.

Por se tratar de um teste de Impairment, o princípio da prudência deve ser observado, portanto, atenção ao uso da “perpetuidade”.

O método da perpetuidade considera que o fluxo de caixa do projeto analisado estende-se infinitamente. Assume-se a repetição de “N” ciclos de investimento para garantir a sobrevivência do projeto. A conclusão a que se chega é que o VPL (Valor Presente Líquido) da perpetuidade diminui quanto mais distante do momento zero (data da avaliação) os fluxos ocorrerem. Com o passar dos períodos, o VPL da perpetuidade é compensando pela taxa de desconto, resultando em acréscimo zero ao valor presente da empresa avaliada.

Por se tratar de um teste de Impairment, considerando o princípio da prudência, não recomendamos o uso de crescimento na perpetuidade no cálculo de fluxos de caixas futuros, ou seja, calculamos a perpetuidade no fim do período projetado (pode ser após 10, 12 anos dependendo do ramo de atividade da empresa) mas com crescimento zero.

9º Projeção de 3 cenários distintos.

Considerando que trata-se de Fluxo de Caixa Futuro Descontado, existem muitas variáveis que podem influenciar no VPL (Valor Presente Líquido, por exemplo: Tempo de projeção, taxa de desconto, crescimento da econômica, exposição a variações cambiais que a empresa avaliada pode ter (ou não) alto (ou baixo) grau de obsolescência tecnológica do parque fabril, entre outras tantas variáveis; por esse motivo é recomendável que seja projetado (pelo menos) 3 variáveis distintas: Pessimista, conservadora e otimista, por exemplo: 

a) Cenário 1 Pessimista – Onde a Empresa NÃO apresenta crescimento ao longo do período projetado de x anos.

b) Cenário 2 Conservador – Onde a Empresa modelo apresenta crescimento igual as projeções de crescimento do PIB nos próximos 5 anos. 

c) Cenário 3 Otimista – Neste cenário o Fluxo de Caixa médio dos últimos 4 exercícios, projetado por x anos, com crescimento de x% a.a. nos primeiros x anos e nos exercícios seguintes um crescimento de x1.

Os resultados de VPL destes 3 cenários apresentam a XXXXXX

10º Cálculo e conclusão do Teste de Impairment

A última parte deve ser a conclusão do Teste de Impairment do Ágio, é preciso resumir a metodologia, critérios e demais premissas e concluir o relatório recomendando a perda por Impairment ou não.

Podemos citar o tópico 57 do CPC 01 onde aborda o reconhecimento de uma perda por desvalorização:

“Se, e somente se, o valor recuperável de um ativo for menor que o seu valor contábil, o valor contábil de um ativo deve ser reduzido ao seu valor recuperável. Essa redução representa uma perda por desvalorização do ativo”. O tópico 58 complementa: “A perda por desvalorização do ativo deve ser reconhecida imediatamente no resultado do período, a menos que o ativo tenha sido reavaliado. Qualquer desvalorização de um ativo reavaliado será tratada como uma diminuição do saldo da reavaliação. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01).”

O objetivo do Teste de Impairment é assegurar que os ativos não estejam registrados contabilmente por um valor superior ao recuperável e o Laudo de Teste de Impairment serve para “testar” esta condição.

Neste segundo Blog da série de três sobre o “teste de Impairment do Ágio” abordamos a prática, como é realizado este teste para atender a legislação. Como vimos acima, o Teste de Impairment do ágio é bastante trabalhoso e envolve cálculos já realizados no momento do PPA, ou seja, para se obter o valor do Ágio foi realizado o cálculo de rentabilidade futura, que de certa forma foi recalculado no exercício seguinte na ocasião do teste de Impairment.

O terceiro e último Blog da série vai abordar essa questão. O teste de Impairment no exercício seguinte ao do registro do Ágio é, na prática, um recalculo do ágio, e no nosso entendimento, desnecessário.

A equipe da Global Consult está a disposição para maiores detalhamentos sobre este tema.

 

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