Método de valor líquido de venda X valor em uso – Terceira parte

Método de valor líquido de venda X valor em uso – Terceira parte

Dando continuidade à série sobre o tema “Método de valor líquido de venda X valor em uso”, abordaremos hoje a terceira parte da questão do Teste de Impairment evidenciando que os resultados obtidos podem ser diferentes conforme a metodologia utilizada para o “Impairment test”.

Como o tema é extenso, dividimos o assunto em 3 partes, sendo o texto abaixo referente a terceira e última parte do tema.

Método de valor líquido de venda X valor em uso – Terceira parte

Caso ainda não tenha acompanhado os posts anteriores desta série: PARTE IPARTE II, sugerimos efetuar a leitura antes de prosseguir.

Definição do Valor Recuperável através do Valor em Uso

Para a determinação do valor recuperável dos ativos através do valor em uso foram analisados os seguintes documentos disponibilizados pela empresa: fluxo de caixa, a demonstração do resultado do exercício (DRE) específico de cada linha de produção, os orçamentos de capital para os próximos três anos, além do balanço patrimonial do exercício atual e dos cinco últimos anos. O CPC 01 define valor em uso:

O valor presente de fluxos de caixas futuros estimados, que devem resultar do uso de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01).

O cálculo de valor em uso considerou as estimativas de fluxos de caixa futuros que a unidade espera obter com a utilização das respectivas linhas de produção, considerando as possíveis variações no montante ou no período destes fluxos de caixa, além do histórico de resultados passados analisados através das demonstrações contábeis dos últimos três anos, por linha de produção.

A análise de resultados já obtidos foi fundamental para se criar uma referência de valores ao longo do tempo que serviu de parâmetro para, junto com outras informações, fundamentar a estimativa de resultados futuros.

Foi utilizado um conjunto único de fluxos de caixa estimados e uma só taxa de desconto, pois esta abordagem denominada “tradicional” presume que uma taxa de desconto única incorpora todas as expectativas sobre os fluxos de caixa futuros e o prêmio de risco adequado, e principalmente, reflete a realidade da empresa que está consolidada no segmento em que atua há mais de trinta anos e não apresentou grandes variações de resultados ao longo dos exercícios anteriores estudados.

A taxa de desconto foi obtida através do cálculo do WACC-Custo Médio de Capital Ponderado da empresa. A base foi ajustada para desconsiderar os efeitos dos impostos e a taxa de desconto obtida foi de 4,2% ao ano.

Abaixo é apresentado o comparativo entre o valor contábil das duas linhas de produção e os seus respectivos valores em uso.

Os resultados futuros foram estimados para apenas os três próximos anos, apesar de a legislação permitir uma estimativa maior de tempo, a empresa não possui estimativas seguras de resultados, não efetua orçamentos nem planos de investimentos para períodos maiores que três anos, desta forma, as premissas de tempo e taxa que embasam este trabalho são conservadoras e estão sustentadas em números oficiais da empresa.

Pelos resultados demonstrados pelo método de “valor em uso” também não há necessidade de contabilizar uma perda por Impairment em nenhuma das duas linhas de produção, pois os valores presentes de fluxos de caixa futuros são maiores que os valores contábeis da empresa.

Conclusão

O objetivo do Teste de Impairment é assegurar que os ativos não estejam registrados contabilmente por um valor superior ao recuperável. O objetivo deste estudo de caso da unidade de Manaus-AM da empresa era demonstrar que os resultados são diferentes conforme a metodologia aplicada. Para este trabalho efetuamos o Teste de Impairment pelos dois métodos permitidos, que são: O teste pelo valor líquido de venda e o pelo valor em uso. A legislação pertinente a este tema não obriga as empresas a fazerem o mesmo, mas para atingir o objetivo proposto efetuamos os cálculos por ambos os métodos, conforme tópico 17 do CPC 01:

Nem sempre é necessário determinar o valor líquido de venda do um ativo e seu valor em uso. Se qualquer desses valores exceder o valor contábil do ativo, esse não tem desvalorização e, portanto, não é necessário estimar outro valor. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01)

As tabelas comparativas entre os valores contábeis das linhas de produção e os respectivos valores líquidos de venda e valor presente de resultados futuros demonstram que os valores calculados, em ambos os casos, são superiores ao valor contábil, contudo, ao se analisar os resultados obtidos entre os dois métodos diferentes é observado que são muito distintos, o valor líquido de venda é muito superior ao valor em uso, sendo que este último ficou muito próximo ao valor contábil e está mais sujeito a variações, visto que depende da taxa de desconto utilizada para seu cálculo, que está sujeita a variações conforme o mercado.

Outra questão importante que ressalta as vantagens da utilização do método de valor líquido de venda para o Teste de Impairment é que para utilizar esta metodologia é necessária a vistoria técnica dos itens e a emissão de um laudo de avaliação, como conseqüência deste trabalho a empresa obterá informações importantes para a manutenção do ativo imobilizado no futuro, como o valor de descarte no final da vida útil e a determinação da própria vida útil do bem, que são informações fundamentais para o cálculo de depreciação de acordo com o CPC 27 que foi adotado no Brasil a partir de julho de 2009.

Por Gilberto Oliveira – Diretor Comercial da Global Consultoria

E se deseja mais informações sobre o assunto ou agendar uma reunião com nossos especialistas, entre em contato pelo FORMULÁRIO DE CONTATO ou ligue  0800 009 5555

 

 

 

Método de valor líquido de venda X valor em uso – Segunda parte

Método de valor líquido de venda X valor em uso – Segunda parte

Dando continuidade à série sobre Método de valor líquido de venda X valor em uso, abordaremos hoje a questão do Teste de Impairment evidenciando que os resultados obtidos podem ser diferentes conforme a metodologia utilizada para o “Impairment test”.

O Teste de impairment consiste na adoção de determinados procedimentos que visam assegurar que os ativos de longa duração não estejam registrados contabilmente por um valor superior àquele passível de ser recuperado por uso ou por venda.

Com essas duas possibilidades (Valor líquido de venda ou Valor em uso) pode-se chegar a resultados diferentes que, conforme o caso, são determinantes para a contabilização ou não de um resultado negativo relativo ao impairment.

Método de valor líquido de venda X valor em uso – Segunda parte

Como o tema é extenso, dividimos o assunto em 3 partes, sendo o texto abaixo referente a 2ª parte. No entanto, caso você não tenha lido ainda a primeira parte, sugerimos acessar este link antes de prosseguir.

Definição do Valor Recuperável através do Valor Líquido de Venda

Para a determinação do valor recuperável dos ativos através do método de valor líquido de venda, efetua-se a conciliação dos bens físicos inventariados e avaliados com os itens contábeis. Em outras palavras, os bens da relação analítica que compõem o imobilizado da empresa, cujo saldo agrupado por conta deve estar coincidindo com o saldo contábil do ativo imobilizado na data base do Teste de Impairment. Neste estudo de caso a data base é 31/12/2008. O tópico 73 do CPC 01 determina a composição contábil da unidade geradora de caixa como:

“O valor contábil de uma unidade geradora de caixa deve incluir o valor contábil somente daqueles ativos que podem ser atribuídos diretamente ou alocado em base razoável e consistente, á unidade geradora de caixa, e que gerarão as futuras entradas de caixa utilizadas para determinar o valor em uso da unidade geradora de caixa. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01).”

Esta conciliação deve ser efetuada por linha de produção, no caso da unidade de Manaus os bens foram separados em duas linhas: fornos de microondas e refrigeradores, pois é possível que para determinada linha de produção seja necessário a contabilização de uma perda por Impairment. E em outra linha de produto os valores contábeis sejam recuperáveis e, portanto, não sendo necessária a contabilização da perda por Impairment nesta segunda linha.

Também existe a possibilidade que determinado equipamento esteja contabilizado por um valor superior ao recuperável, mas no montante a linha de produção esteja contabilizada por um valor abaixo do determinado como recuperável. Neste caso, o equipamento específico não tem Impairment, pois o critério para se efetuar a contabilização do Impairment é somatório da linha de produção e não os equipamentos individuais.

Para a determinação do valor líquido de venda foi contratada uma empresa especializada em avaliações que vistoriou e classificou os bens em linhas de produção.

O tópico 23 do CPC 01 cita:

“A melhor evidência de um valor líquido de venda é um preço de um contrato de venda firme em uma transação em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, ajustado por despesas adicionais que seriam diretamente atribuíveis à venda do ativo. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01).”

Além do valor líquido de venda, o laudo de avaliação contém informações fundamentais para a correta aplicação do Teste de Impairment e manutenção do controle do ativo imobilizado, em conformidade com as normas internacionais que estão sendo editadas no Brasil, mas especificamente o CPC 27.

O laudo de avaliação das linhas de produção contempla as seguintes informações, individualizadas e agrupadas por linhas:

  • determinação do “Valor Atual”, que é o valor do bem no estado em que se encontra.
  • determinação do “Valor Líquido de Venda”,  que é o real valor pelo qual o bem tem a tendência de ser adquirido pelo mercado, descontando-se os custos de desmobilização e transporte para se obter o valor líquido de venda.
  • estimativa do “Valor de Descarte”, valor residual do bem após estar totalmente depreciado e apresentação da VUER– Vida Útil Econômica Remanescente, baseada na vida útil específica do bem de acordo com o ramo de atividade da empresa.

A vida útil do bem é que define a respectiva taxa de depreciação. O CPC 01 define o que é vida útil:

“O período de tempo no qual a entidade espera usar um ativo ou o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a unidade espera obter de um ativo. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01).”

Após a conciliação dos itens inventariados e avaliados em relação aos itens contábeis, comparou-se o valor residual contábil da linha de produção com o seu respectivo valor líquido de venda. O resultado obtido foi o seguinte:

tabela-impairment-parte3

Pelo comparativo acima fica evidenciado que os ativos estão registrados contabilmente por valores recuperáveis por venda, pois os valores líquidos de venda são superiores ao residual contábil.

Na linha de fornos de microondas o valor líquido de venda é superior em R$ 5.256.020,84 que o valor residual contábil e na linha de refrigeradores o valor líquido de venda é R$8.100.617,75 superior ao valor residual contábil.

Pelos resultados obtidos não há necessidade de contabilizar uma perda por Impairment em nenhuma das duas linhas de produção.

O tópico 57 do CPC 01 aborda o reconhecimento de uma perda por desvalorização:

“Se, e somente se, o valor recuperável de um ativo for menor que o seu valor contábil, o valor contábil de um ativo deve ser reduzido ao seu valor recuperável. Essa redução representa uma perda por desvalorização do ativo”. O tópico 58 complementa: “A perda por desvalorização do ativo deve ser reconhecida imediatamente no resultado do período, a menos que o ativo tenha sido reavaliado. Qualquer desvalorização de um ativo reavaliado Ser tratada como uma diminuição do saldo da reavaliação. (Comitê de Pronunciamentos Contábeis, pronunciamento técnico CPC 01).”

Os bens corporativos, que atendem a ambas as linhas de produção, tiveram seus respectivos valores contábeis atribuídos às linhas de produção nos mesmos percentuais de rateio que são utilizadas pela empresa para a composição dos custos indiretos de fabricação.

A sequência deste tema será abordada no próximo post a 3ª parte e última parte do texto. Aguarde.

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Por Gilberto Oliveira – Diretor Comercial da Global Consultoria

 

 

Método de valor líquido de venda X valor em uso – Primeira parte

Método de valor líquido de venda X valor em uso – Primeira parte

TESTE DE IMPAIRMENT- MÉTODO DE VALOR LÍQUIDO DE VENDA x VALOR EM USO (1ª parte)

Daremos início neste post a uma série que aborda essa questão do Teste de Impairment evidenciando que os resultados obtidos podem ser diferentes conforme a metodologia utilizada para o “Impairment test”.

O Teste de impairment consiste na adoção de determinados procedimentos que visam assegurar que os ativos de longa duração não estejam registrados contabilmente por um valor superior àquele passível de ser recuperado por uso ou por venda.

Com essas duas possibilidades (Valor líquido de venda ou Valor em uso) pode-se chegar a resultados diferentes que, conforme o caso, são determinantes para a contabilização ou não de um resultado negativo relativo ao impairment.

O tema por extenso, será dividido em uma série de 3 partes.

Boa leitura!

Introdução ao tema

A edição de Lei nº 11.638/07 foi o primeiro passo para a convergência das normas brasileiras ao padrão adotado internacionalmente. A partir dessa Lei, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC aprovou diversos pronunciamentos técnicos com o objetivo de implantar o padrão IFRS no Brasil.

O Teste de Impairment está entre as novidades que as empresas brasileiras precisaram se adequar a partir de 2008 e foi aprovado e definido pelo CPC através do Pronunciamento Técnico nº um (CPC 01) em correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 36 (IASB).

Redação da nova Lei

A redação da nova Lei traz uma mudança de postura da Contabilidade brasileira, qual seja; a Primazia da Essência sobre a Forma, normas contábeis orientadas por princípios. A Lei não traz essa menção de forma explícita, porém ao exigir que a normatização contábil seja feita, daqui pra frente, em direção às normas internacionais, contempla toda essa filosofia.

O Impairment é uma palavra em inglês que significa deterioração em sua tradução literal. Tecnicamente trata-se da redução do valor recuperável de um bem ativo. O impairment na prática é a mensuração dos ativos que geram benefícios presentes e futuros.

Este procedimento foi inicialmente introduzido pelo FASB, o SFAS 144 Accounting for the impairment or Disposal OF Long-Lived Assets, e pelo IASB com a IAS 36.

Exemplificação para fundamentar a comparação

Para fundamentar a comparação (objetivo desta séria) utilizamos uma empresa fictícia que atua na fabricação de fornos de micro-ondas e refrigeradores, a atenção da administração local é voltada para a operação, pela melhoria contínua de processos e na busca de resultados positivos.

Por atuarem em todas as áreas como: tributária, custos, recursos humanos, logística e controladoria, entre outras, falta a especialização e o aprofundamento de certos assuntos mais complexos, desconhecendo algumas vezes os detalhes que podem fazer a diferença nas novas regras contábeis decorrentes da convergência, e principalmente o que se refere ao teste de Impairment, o que pode resultar em prejuízos que poderiam ser evitados com o conhecimento das duas possibilidades e de suas diferenças de critérios e resultados.

Conceituação

Inicialmente faz-se necessário apresentar algumas definições para melhor entendimento. Os seguintes termos são utilizados no CPC 01 e citados neste Blog com os respectivos significados específicos:

Valor recuperável de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa é o maior valor entre o valor líquido de venda de um ativo e seu valor em uso.

Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros estimados, que devem resultar do uso de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa.

Valor líquido de venda é o valor a ser obtido pela venda de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa em transações em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, menos as despesas estimadas de venda.

Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos que gera as entradas de caixa, que são em grande parte independentes das entradas de caixa de outros ativos ou de grupos de ativos.

Despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, excluindo as despesas financeiras e de impostos sobre o resultado gerado.

Perda por desvalorização é o valor pelo qual o valor contábil de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável.

Valor contábil é o valor pelo qual um ativo está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e provisão para perdas.

Depreciação, amortização e exaustão é a alocação sistemática do valor depreciável, amortizável e exaurível de ativos durante sua vida útil.

Valor depreciável, amortizável e exaurível é o custo de um ativo, ou outra base que substitua o custo nas demonstrações contábeis, menos seu valor residual.

Valor residual é o valor estimado que uma entidade obteria pela venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil.

Vida útil é:

  • o período de tempo no qual a entidade espera usar um ativo; ou
  • o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter do ativo.

Ativos corporativos são ativos, exceto ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), que contribuem, mesmo que indiretamente, para os fluxos de caixa futuros, tanto da unidade geradora de caixa sob revisão, quanto da de outras unidades geradoras de caixa.

Mercado ativo é um mercado onde todas as seguintes condições existem:

  • os itens transacionados no mercado são homogêneos;
  • vendedores e compradores com disposição para negociar são encontrados a qualquer momento para efetuar a transação; e
  • os preços estão disponíveis para o público.

1º Passo

Inicialmente obteve-se a relação analítica dos bens do ativo imobilizado da Unidade objeto de estudo. Conforme IUDÍCIBUS, a Lei nº 6.404/76, mediante seu artigo nº 179, inciso IV, conceitua como contas a serem classificadas no Ativo Imobilizado:

“Os direitos que tenham por objeto bens destinados á manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial”. (IUDÍCIBUS, MARTINS e GELBCKE, 2007, P.190).

Definiram-se quais são as unidades geradoras de caixa, que sejam em grande parte independente das entradas de caixas de outros ativos. Por estes critérios se concluiu que a unidade fictícia possui duas linhas de produção independentes que são: a linha de fornos de microondas e a linha de refrigeradores.

Determinação do valor recuperável dos ativos através do método de “valor líquido de venda

Para a determinação do valor recuperável dos ativos através do método de “valor líquido de venda” foi efetuada a contratação da Global Consultoria para fazer o inventário físico e o laudo de avaliação dos bens do ativo imobilizado a valor líquido de venda. (ambos serviços já foram objeto de detalhamento em posts anteriores e para obter maiores informações acesse este link  .

Importante ressaltar, que o inventário físico e a avaliação dos bens, além de atender a um dos métodos para o Teste de Impairment também apresenta informações importantes para o atendimento a outras normas internacionais para o controle do ativo imobilizado, entre eles o CPC 27 que está correlacionado ao IAS 16.

Determinação do valor recuperável dos ativos através do método de “valor em uso”

Para a determinação do valor recuperável dos ativos através do método de “valor em uso” foram analisados os seguintes documentos disponibilizados pela empresa: Fluxo de Caixa, A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) específico de cada linha de produção, os orçamentos de capital para os próximos 3 anos, além do Balanço Patrimonial do exercício atual e dos cinco últimos anos.

Para escolha do melhor método de Teste de Impairment é necessário conhecer a empresa, suas linhas produção, os produtos, os bens de uso comum a ambas as linhas, as perspectivas de crescimento, o segmento de mercado no qual a empresa atua, visitar a fábrica e entrevistar pessoas chaves no processo e na administração para se obter estas respostas e fundamentar o cenário futuro da empresa.

“A entrevista é a primeira e talvez a mais importante técnica de levantamento e documentação das atividades de um processo. É através dela que se pode tomar conhecimento dos meandros da organização.” (CRUZ, Sistemas, organização e métodos: estudo integrado das novas tecnologias de informação, 2002, P.111).

Essas etapas de levantamento de documentação, inventário físico, avaliação e entrevista são fundamentais para se efetuar o Teste de Impairment pelos dois métodos propostos. O mapeamento é um meio e não um fim, uma ferramenta para o alcance de objetivos.

Para a correta aplicação do teste de Impairment é importante ressaltar o CPC 13 que trata das Adoções Iniciais a Lei 11.638/07, em seu item nº 24 – Valor de recuperação de ativos, confirma que as entidades devem aplicar o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao valor recuperável de Ativos, a fim de:

  • Verificar se houve perda por redução ao valor de recuperação (impairment) ao adotar as novas práticas contábeis adotadas no Brasil.
  • Medir a eventual perda por redução ao valor de recuperação existente, com o objetivo de complementar ou reverter perdas por redução ao valor de recuperação que possam ter sido constituídas anteriormente.

Em termos de transição, o presente pronunciamento reforça a orientação já contida no item 131 do Pronunciamento CPC 01, que deve “ser aplicado somente prospectivamente, não sendo aplicável em bases retroativas, ou seja, no balanço de abertura.

Tanto para SFAS 144, IAS 36, como para o CPC 01, o reconhecimento do valor recuperável do ativo não se limita ao ativo isoladamente, pode ser utilizado o conceito de unidade geradora de caixa, ou seja, são considerados os benefícios futuros dos ativos conjuntamente, visto que o retorno econômico muitas vezes não é representado por ativos isolados, podendo em muitos casos se configurar por um conjunto de ativos.

O teste de impairment deve acontecer quando fatores conjunturais indicar a redução do valor recuperável dos ativos. Assim como a IAS 36, o CPC 01 considera fatores internos e externos no reconhecimento de um ativo desvalorizado. Das fontes externas, é citada a redução do valor de mercado de um ativo; a significante mudança no ambiente tecnológico e mercadológico e pelo relevante aumento das taxas de juros o que leva à redução no retorno sobre o investimento e ainda, quando o valor contábil do patrimônio supera o valor de suas ações no mercado.

Ao avaliar se há alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização, uma entidade deve considerar, no mínimo, as seguintes indicações:

a) Indicadores externos de informações

Durante o período, o valor de mercado de um ativo diminuiu sensivelmente, mais do que seria de se esperar como resultado da passagem do tempo ou do uso normal;

Mudanças significativas com efeito adverso sobre a entidade ocorreram durante o período, ou ocorrerão em futuro próximo, no ambiente tecnológico, de mercado, econômico ou legal, no qual a entidade opera ou no mercado para o qual o ativo é utilizado;

As taxas de juros de mercado ou outras taxas de mercado de retorno sobre investimentos aumentaram durante o período, e esses aumentos provavelmente afetarão a taxa de desconto usada no cálculo do valor em uso de um ativo e diminuirão significativamente o valor recuperável do ativo;

O valor contábil do patrimônio líquido da entidade é maior do que o valor de suas ações no mercado;

b) Indicadores internos de informações

Evidência de obsolescência ou de dano físico de um ativo;

Mudanças significativas na medida ou maneira em que um ativo é ou será usado. O ativo que se torna inativo, planos para descontinuidade ou reestruturação da operação à qual um ativo pertence, planos para baixa;

Evidência em relatório interno, que o desempenho econômico de um ativo é ou será pior que o esperado.

A sequência deste tema será abordada no próximo post que dará sequência na 2ª parte de um total de 3 postagens.

Por Gilberto Oliveira – Diretor Comercial da Global Consultoria

 

 

Teste de Impairment: Quando deve ser realizado?

Teste de Impairment: Quando deve ser realizado?

Em tempos de instabilidade econômica e governamental, empreendedores brasileiros tendem a ter muitas dificuldades para gerir seus patrimônios.

Conhecer seus bens, analisá-los de maneira realista e entender o que vale ou não para o mercado é muito importante para um empresário, pois previne que seu negócio tenha perdas irrecuperáveis no futuro, ou mesmo feche as portas definitivamente.

Para que isso não aconteça, existem diversas estratégias disponíveis para micro, pequenos e grandes empresários terem maior controle sobre seus negócios e estarem sempre em dia com obrigatoriedades de instituições públicas e/ou privadas. Gestão patrimonial deixou de ser uma ação optativa há muito tempo tornando-se obrigatória para quem deseja o verdadeiro sucesso.

Pensando nisso, elaboramos um guia informativo para que você possa conhecer o que é o Teste de Impairment e como aplicá-lo ao seu empreendimento de maneira sábia.

É extremamente importante conhecer os valores reais de bens e direitos da sua companhia, bem como suas dívidas e obrigações para traçar metas e desenvolver estratégias lucrativas.

O que é teste de impairment – Entenda as necessidades desse teste e saiba quando realizá-lo

O teste de impairment pode ser considerado uma avaliação completa dos ativos de uma empresa, a fim de descobrir se os mesmos encontram-se desvalorizados.

Na contabilidade, a desvalorização abrange reduções permanentes no valor de ativos de uma empresa, geralmente ativos fixos. Uma vez realizado o teste de impairment, assegura-se que o valor contábil de um ativo seja recuperado.

Abaixo, separamos as principais situações nas quais o teste de impairment se mostra mais necessário para o empresariado:

  • Registro de ativo: a realização de um teste de impairment impede diretamente que um ativo seja registrado com um valor maior do que o valor recuperável.
  • Evitando a desvalorização: com o teste de impairment, é possível verificar se o ativo não está desvalorizado em relação ao seu valor real (uma vez que o valor contábil esteja maior que o recuperável).
  • Solidez de investimentos e transações: contratando uma equipe profissional e competente para realizar esse teste, é possível observar se a empresa está fazendo investimentos sólidos ou se está pagando mais do que deveria pagar em ativos, por exemplo.
  • Balanço patrimonial: uma vez com o teste realizado, o empreendimento terá seu balanço patrimonial ajustado à realidade, facilitando as tomadas de decisão da gerência e dos sócios.
  • Previsões de declínio ou ascensão: é fundamental saber a situação legítima do patrimônio da sua empresa, e o teste de impairment possibilita isso. Tendo uma visão clara da situação, fica mais fácil prever se o patrimônio acumulado está diminuindo ou aumentado.

Porque realizar teste de impairment – E a importância de contratar uma equipe multidisciplinar e profissional

Ao contratar os serviços de um escritório de contabilidade confiável, você garantirá total transparência das informações contábeis do seu negócio, construindo uma confiabilidade sólida no mercado e aumentando suas chances de fazer transações lucrativas e benéficas com outros empreendedores.

Uma companhia que leva a sério sua gestão orçamentária precisa, antes de tudo, contar com um grupo de especialistas que entendam seus números e saiba interpretá-los a fim de transformá-los em informações úteis e futuramente, lucrativas.

Gostou do post? Deixe seu comentário! Quer saber mais sobre o assunto ou precisa de ajuda para realizar um teste de impairment na sua empresa? Entre em contato com nossos especialistas e agende uma reunião estratégica.

Por Equipe Global Consultoria

Teste de Impairment: O que é e sua importância para uma empresa

Teste de Impairment: O que é e sua importância para uma empresa

Cuidar da contabilidade de uma empresa é preciso levar em conta as diversas ferramentas disponíveis para manter as finanças em dia. Entre os recursos está o teste de impairment que, de maneira geral, consiste em uma ferramenta contábil que barra o registro dos ativos da empresa além do limite que será recuperado após uso ou venda.

As empresas devem entender como funciona o teste de impairment para perceber que ele pode contribuir na garantia de que os valores ativos não figurem com um valor maior do que possa ser recuperado pelo uso. A realização do teste entrou em vigor em 2007 e já há muitas empresas especializadas na sua execução.

O teste de impairment é importante para as empresas porque ajudam a evitar prejuízos. O teste mostra se um ativo tem um valor superior ao recuperável. Se ele pode ser comercializado e contribuir para que o caixa da companhia seja reforçado.

Saiba como funciona o teste de impairment

Por ser uma avaliação importante, o teste de impairment deve seguir um padrão. E, por isso, é importante contar com empresas especializadas na realização desse trabalho visto que é necessário além de seguir o padrão uma especificidade técnica na análise de documentos.

Por meio desse teste é possível fazer uma avaliação do real valor líquido dos ativos da empresa. Confira alguns passos necessários para a execução do teste de impairment:

  • Se os bens avaliados podem ter prova de valor mensurável são considerados ativos intangíveis.
  • Mensuração: Se as provas documentais podem fazer o registro e identificar a extensão do valor que pode ser recuperável e também o valor de uso.
  • Divulgação: É quando é informado na demonstração contábil ou em notas.

Porque realizar o teste de impairment?

Fazer a execução do teste de impairment é uma obrigatoriedade exigida por lei já que ele impõe às empresas uma reflexão sobre seu próprio capital. É como se obrigasse às organizações olhar para suas finanças e colocá-las em dia para não serem surpreendidas com rombos financeiros, por exemplo, ou mesmo problemas fiscais.

Quando se faz o teste de impairment identifica-se um ativo classificado com um valor superior ou inferior ao que seria a realidade. Isto é, além da obrigatoriedade da lei, a razão para realizar o teste de impairmet é identificar quando um ativo é recuperável. No teste a empresa passa a ter a noção exata dos seus ativos.

Mantenha uma periodicidade ideal

O teste de impairment pode ser feito uma vez por ano. Esse é um período interessante pois é um intervalo em que já é possível identificar se houve perda de valor em algum ativo. Dessa forma, os gestores conseguem fazer a comparação dos valores e também administrar vendas ou compras.

Como pode ser feito em qualquer época do ano, a empresa pode fazê-lo em épocas diferentes para analisar os ativos em períodos diferentes, inclusive mais de uma vez. A necessidade da execução é quando acontece negociação de venda de ativo, seja essa venda total ou parcial.

Precisa de ajudar para realizar o teste de impairment na sua empresa? Entre em contato com a nossa equipe de especialisas e agende uma reunião estratégica.

Por Equipe Global Consultoria

Teste de Impairment do Ágio – Parte 3 – Final

Teste de Impairment do Ágio – Parte 3 – Final

Neste terceiro e último post da série sobre o “teste de Impairment do Ágio” apresentaremos uma tese para a realização do Teste de Impairment do ágio de forma prática e bem fundamentada e com muito menor tempo e custo para as empresas.

Entendemos que esta metodologia atende integralmente as exigências da legislação apresentadas no primeiro Blog da série, mas contesta a prática que foi apresentada no segundo Blog (como é exigido atualmente pelas auditorias), ou seja, apresentamos uma sugestão de como atender a legislação sem precisar de todo o detalhamento.

Não se trata de uma mera simplificação do trabalho, pois é um cálculo lógico embasado nos números que deram origem ao Ágio, (no próprio PPA que gerou o ágio).

Lembramos que a série sobre Teste de Impairment do Ágio aborda o tema por 3 enfoques distintos:

  • 1º A origem – A exigência, Legislação e critérios.
  • 2º Na prática – Como de fato é realizado o Teste de Impairment do Ágio. )
  • 3º Uma nova abordagem para se testar a recuperabilidade do Ágio. (atual)

Como vimos no segundo post da série:

Para o teste de Impairment do ágio é necessário a elaboração de um Laudo comparando o valor contábil do Ágio versus seu Valor Recuperável. O trabalhoso é calcular esse “valor recuperável”, pois é o resultado de um cálculo que apresenta o VPL (Valor Presente Líquido) de fluxos de caixa futuros; isto posto, no Laudo deve conter no mínimo os 10 passos…”

As questões que apresentamos agora são:

  1. Será mesmo necessário a realização de todo esses cálculos para o Teste de Impairment do Ágio, que na prática é quase que calcular um novo PPA a cada ano?
  2. Será que no primeiro exercício após a contabilização do ágio é necessário se calcular novamente o VPL dos fluxos de caixas futuros?
  3. Seria correto no primeiro exercício seguinte utilizar novas premissas de prazo, taxa de desconto ou outra variável?

Nossa tese é de que há uma forma direta e simples de se realizar o teste de Impairment do Ágio (ou Intangível) e que também é muito menos onerosa para as empresas que precisam contratar a Global ou outras consultorias.

Na prática como seria essa nova forma de se testar o Ágio?

No cálculo do PPA foi projetado uma série de fluxos de caixas futuros, esses fluxos de caixa foram “descontados” para se obter o VPL (Valor Presente Líquido). Apenas para exemplificar, digamos que a tabela abaixo representa a série de fluxos de caixa projetados para a Empresa Modelo:

indicador teste de impairment

Podemos observar no exemplo que para o “Ano 1”, que seria o primeiro exercício após a contabilização do Ágio, foi projetado um fluxo de caixa (da unidade geradora) o valor de R$ 10.000.000,00.

Como é exigido pela Legislação atual e descrito no CPC 01, a empresa é obrigada a realizar o Teste de Impairment anualmente, logo, a partir do primeiro exercício seguinte ao registro do Ágio.

Seguindo no exemplo da empresa modelo, digamos que no exercício seguinte (ou seja, ano 1) o fluxo de caixa gerado pela empresa (ou pela unidade geradora de caixa) seja de R$ 10.500.000,00.

indicador2 teste impairment

Pelo comparativo cima fica evidenciado que o fluxo de caixa projetado para o Ano 1 foi realizado e com sobras.

  • Fluxo de caixa projetado no PPA que gerou Ágio >>  R$ 10.000.000,00
  • Fluxo de caixa realizado no exercício seguinte  >>  R$ 10.500.000,00

Pelo comparativo fica evidente que o fluxo de caixa projetado para o ano 1 foi realizado e os números indicam claramente que não há uma perda por Impairment do Ágio. Os números são claros e é um comparativo direto, sem variáveis, sem ajustes e de fácil interpretação.

A mesma lógica deve ser utilizada para os casos onde o fluxo de caixa projetado não foi realizado, ou seja, há uma perda por Impairment do Ágio, veja o exemplo abaixo:

indicador3-teste-de-impairment

Utilizando o mesmo critério anterior, podemos observar no exemplo acima que o fluxo de caixa gerado no Ano1 não atendeu a expectativa projetada por ocasião do cálculo do Ágio no PPA.

Seria o caso da realização de um Teste de Impairment do ágio, através de um cálculo completo (similar ao utilizado no PPA)?

Pode ser que ao se projetar um tempo maior de fluxo de caixa (ao invés de 10 anos, utilizar 12 ou 15 anos), o resultado seja diferente e que não haja uma perda por Impairment, mas seria correto esse procedimento?

Seria correto no primeiro exercício seguinte utilizar novas premissas de prazo, taxa de desconto ou outra variável?

Nosso entendimento é que não se justificaria a utilização de variáveis diferentes já no exercício seguinte, pois essa mudança de critério poderia disfarçar uma perda relevante para as empresas. Com esse argumento, fundamentamos nossa tese de utilização um cálculo mais simples e direto para o Teste de Impairment do Ágio para ambos os casos, quando há uma perda e quando não há.

Neste terceiro e último Blog da série sobre o “teste de Impairment do Ágio” apresentamos uma tese, exemplificamos e fundamentamos nosso entendimento de que não há necessidade de se realizar todo o procedimento descrito no segundo Blog da série, que na prática, é quase que refazer o PPA anualmente. Além de oneroso, demorado é um serviço que demanda muitas horas de consultorias (e mais oneroso ainda, quando se trata das Big Four’s).

Concluímos afirmando que: O teste de Impairment no exercício seguinte ao do registro do Ágio é, na prática, um recalculo do ágio, e no nosso entendimento, desnecessário, pois há formas práticas e diretas de se atestar a perda por Impairment (ou não) através dos DF’s da própria empresa ou da unidade geradora de caixa que deu origem ao Ágio.

A equipe da Global Consult está a disposição para maiores detalhamentos sobre este tema.